Muitas vezes estamos tão centrados no nosso mundo, que caímos no erro de achar que porque somos "especialistas" em algo, podemos contar somente com aqueles que julgamos estar no mesmo patamar de conhecimento. O erro já vem daí: colocar pessoas em um patamar, além de limitar o outro e sem deixar que ele escolha o seu lugar nós mesmos já previamente determinamos e rotulamos e limitamos. Onde está a liberdade que devo respeitar? já era há muito tempo! Particularmente odeio patamares e quando me colocam em altares, faço questão de despencar lá de cima (altar pra mim ,só pra quando eu for casar), as pessoas ficam numa decepção só, mas pelo menos ganho meu direito de ser humana novamente.
É tão fácil colocarmos os outros em patamares, que até amigos nossos que sabem de nossos limites nos colocam em patamares e acabam se decepcionando. Me pergunto que necessidade é essa que temos de nos colocar ou colocarmos os outros nesses lugares. Acho que é para a nossa segurança que logo classificamos as pessoas, mas que maldade e inutilidade a nossa. Ser humano não se classifica! Estamos em constante transição, mesmo que não percebamos.
Aprender com os outros é sempre válido! Estava eu me tremendo de frio, tentando mergulhar, mas estava tão tensa que sentia meus músculos contraindo, ia para a água e não tinha um peixinho que ficasse perto de mim. Frustração geral! O cara me sobe e me pergunta se eu estava nervosa.
- Nervosa? eu to uma pedra! Vai que eu desço e não subo!
- Garota isso não tem perigo. de uma forma ou de outra você sobe!
Como alguém era tão calmo? Acho que era característica do lugar. Ninguém ali era apressado, estressado, mas era notório que eram pessoas normais com problemas como todos! então porque essa diferença gritante? eu incomodava com toda a minha agitação!
- Garota olha pra essa imensidão do mar.
Eu olhava apavorada e só passava na minha cabeça: é essa imensidão que me assusta. Piscina tem limite, mas mar não e não tem ninguém aqui! Lógico, havia o cara cheio de tatoo, com uma cara muito despreocupada da vida, que muito me preocupava (olha eu colocando em patamar o rapaz e eu também)
- Garota, Deus fez tudo isso pro homem dominar e não pra sermos dominados por ele. Sacou? Isso tudo aqui é muito irado, se você ficar tensa a natureza percebe e não vai colaborar com vc.
Eu estava espantando a natureza! que legal! Será que a natureza não entendia que eu estava apavorada? Mas tinha razão pra esse medo? todos estavam no seu lugar de sempre, peixes moreias, golfinhos. Eu era a intrusa e não eles. quando o tatoo falou isso pra mim, foi como um balde de agua na minha cabeça. em uma ilha longe de todos, um rapaz que eu não dava um milho de pipoca por ele, consegue ser mais contemplativo que a sabichona aqui. Bem feito pra mim! Por isso ele era tão calmo, ele vivia na contemplação, nas palavras dele em harmonia com o lugar que ele vivia. Quem diria? Um tatoo muito doidão, me dando altas lições e eu com uma carga de ensino, parecia que nunca tinha ouvido falar do que estava vivendo. E era tão simples! fui jogada na agua de novo, agora bem mais calma. adivinhem: um monte de peixinho perto de mim! até o que eu odeio (arraia) veio para perto, na verdade, estava passando por mim, acho q eu no meu alto grau de estresse estava conflitando o tráfego marinho! Escutei pela milésima vez a celebre frase: de onde menos se espera, pérolas te guardam. E assim vi que ele não era doidão e sim eu! Tirei uma foto de "saquei tudo"! e tentei relaxar.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
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