domingo, 12 de agosto de 2007

pátria

O que fazer quando uma pessoa querida sua falece? Coisa mais estranha e mais certa é a morte. Fiquei até assustada no início do curso quando vi que tinha uma temática que falava: a psicologia da morte. Na minha cabeça só vinha o defunto... sinistro!!!
Minha tia muito bem atualizada sabe de todos os que se foram na integra. Quando foi o dia do funeral da minha avó ela estava eufórica porque ia sair de casa. Esse é o cúmulo da carência! Segundo seu relato, foi tudo muito bonito, as pessoas estavam de plumas e choravam sempre, alguns com classe outros não. Cada um marcou presença com sua roupa de marca não sei das quantas e falaram muito do quanto minha prima tinha emagrecido, a outra que tinha engordado, enfim o jornal da família foi todo atualizado e contestado no dia da morte da minha avó. Pessoas que não se falavam mais, deram um aperto de mão. A princípio é frustrante quanta futilidade, você está se deparando com uma situação em que nada se leva e as pessoas se preocupam em tudo ter. Mas se colocarmos uma lupa de amor conseguimos ver através desses devaneios. A família estava reunida como não se via há 25 anos. Intrigas mais antigas que minha avó foram deixadas de lado, nem que fosse por alguns instantes, e a futilidade fez a união também, me ligaram hoje perguntando onde eu tinha comprado a minha roupa. Acho que a pessoa teve uma visão porque eu não fui pro funeral, mas para que contrariar? Respondi prontamente: não sei. E grande prima que soube da sua existência apenas hoje pediu para sair comigo e procurar a roupa de sétimo dia.
Fico pensando que minha avó deve estar ao lado de Jesus se abrindo da minha cara, ela sabia que eu não tenho paciência para isso, mas se é para a paz familiar faço o sacrifício.
Tudo o que uma pessoa luta em vida deve ser a herança que todos devem cultivar, dar continuidade, isso não é apenas a forma de lembrar, mas de valer apena cada lágrima que a pessoa derramou, é valorizar sua luta, uma forma de não se deter na dor também. Porque dor mesmo é nossa de não querer que o outro vá ou deixe de sofrer, porque nós iremos sofrer mais com a ausência. Chega a ser egoísta se pensarmos um pouco, mas também logo se presume que se é humano.
CADA PESSOA É UMA PALAVRA DE DEUS QUE NÃO SE REPETE! Grande verdade! Somos insubstituíveis, se não fosse, não sofreríamos tanto com a morte, e palavra de Deus é eterna. Imagino que ela deve estar com todos seus filhos que faleceram e com meus santinhos preferidos, que ela hoje sabe de todos os mistérios da vida. não há mais dúvida,nem dor. Não imagino um céu cheio de flores como naquela novela a Viagem, se fosse pra imaginar um céu físico o meu teria que estar lotado de flores e chocolate! Se quando se morre não há mais fome para que o chocolate? se todo desejo é suprido qual a necessidade de chocolate e cheiro de rosas? As vezes a imagem do céu que temos, é a solução de nossos desejos e problemas. Imagino o céu assim: lotado de pessoas felizes porque encontraram o seu lugar de origem. Vim do céu e para ele voltarei. Esquecemos como é o céu, por isso quando algo bom nos acontece, mexe com a nossa essência e isso é bom, porque relembra de onde viemos. Está marcado por toda eternidade na nossa alma.
Conclusão disso tudo: começar a viver o céu na terra e não deixar que, o que minha avó deixou morra, é acrescentar na minha missão, pois só reconhecerei de onde vim, se começar a viver hoje a vida de céu, de felicidade. Viver no concreto, com meus pés no chão sabendo que sou apenas uma estrangeira aqui e que reconhecerei o céu, pois hoje escolho a vida e não a morte (tristezas, depressão, julgamentos, invejas, coisas que deprimem a nossa vida mesmo fazendo parte da condição humana, é condição humana dizer não a essas picuinhas também)

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